PQTA 2026 bate recorde de inscrições e reúne 296 Cartórios em torno da cultura da qualidade

24/08/2026

Coordenadora Nacional do prêmio, Maria Aparecida Bianchin avalia que o número mostra uma atividade cada vez mais profissionalizada e uma mudança na forma como os Cartórios encaram a avaliação.

O Prêmio de Qualidade Total ANOREG (PQTA) chegou à sua 22ª edição com 296 Cartórios inscritos, o maior número já registrado na história da premiação. O resultado sinaliza uma mudança de comportamento no extrajudicial brasileiro: a busca pela qualidade deixou de ser uma iniciativa isolada de algumas serventias e vem se firmando como prática institucional, presente em Cartórios de diferentes portes, especialidades e regiões do País.

Para falar sobre esse momento, a ANOREG/BR conversou com Maria Aparecida Bianchin, diretora da Qualidade e Produtividade da entidade, coordenadora Nacional do PQTA 2026 e coordenadora da Comissão Nacional da Qualidade da ANOREG/BR, colegiado que reúne representantes dos Estados no trabalho de fortalecimento e disseminação das boas práticas de gestão no segmento Notarial e Registral.

“O verdadeiro ganho do PQTA começa antes mesmo da premiação. O legado mais valioso é aquilo que permanece na serventia depois da cerimônia”, ressalta Maria Aparecida.

A cerimônia de premiação desta edição acontece em 19 de novembro, em Brasília/DF, durante o XXVI Congresso da ANOREG/BR e o IX CONCART.

Na entrevista a seguir, Maria Aparecida analisa a evolução da cultura da qualidade nas serventias, explica por que o maior ganho do PQTA costuma vir antes mesmo da cerimônia e deixa um recado aos Cartórios que participam pela primeira vez. Confira:

ANOREG/BR – Os 296 inscritos representam o maior número em 22 edições do PQTA. O que esse recorde diz sobre o momento da atividade Notarial e Registral brasileira?

Maria Aparecida Bianchin – Alcançar 296 Cartórios inscritos é motivo de grande satisfação, mas, acima de tudo, é um dado muito significativo sobre o momento vivido pela atividade. Ele demonstra que a busca pela qualidade deixou de ser uma iniciativa isolada de algumas serventias e vem se consolidando como cultura no extrajudicial. Hoje existe uma compreensão muito maior de que excelência não se resume ao cumprimento das obrigações legais e normativas, embora esse seja, evidentemente, nosso primeiro compromisso. Ela envolve também gestão eficiente, planejamento, qualificação das equipes, segurança da informação, inovação, responsabilidade socioambiental e atenção permanente à qualidade do serviço prestado ao cidadão.

Esse resultado também representa uma grande responsabilidade: quanto maior a adesão, maior é o nosso compromisso de manter um processo de avaliação sério e criterioso. Por isso, não vejo apenas um recorde numérico. Vejo cada inscrição como a decisão de uma serventia de olhar para a própria gestão, submetê-la a uma avaliação externa e buscar evoluir. Esse é, para mim, o aspecto mais importante e um forte indicador do amadurecimento institucional da atividade.

ANOREG/BR – Essa adesão crescente pode ser lida como reflexo do amadurecimento da cultura de qualidade e gestão nos Cartórios? Como a senhora avalia essa evolução ao longo dos anos?

Maria Aparecida – Sem dúvida. É natural que, inicialmente, a participação em um prêmio esteja muito associada à expectativa de alcançar determinada categoria de reconhecimento. Com o amadurecimento do programa, entretanto, muitas serventias passaram a compreender que o maior valor do PQTA está também no caminho percorrido até a avaliação. Quando um Cartório decide participar, precisa examinar seus processos, seus indicadores, a forma como planeja suas atividades, como desenvolve sua equipe, como utiliza a tecnologia, como protege suas informações e, principalmente, como o resultado de tudo isso chega ao usuário. Esse exercício de autoavaliação é extremamente valioso.

Outro aspecto importante dessa evolução é a percepção de que a qualidade não está relacionada ao tamanho da serventia, à localização geográfica ou ao volume de atos praticados. Cada Cartório possui uma realidade própria, e o PQTA busca estimular a melhoria contínua a partir dela. Esse é um trabalho que procuramos fortalecer por meio da Comissão Nacional da Qualidade da ANOREG/BR, disseminando boas práticas e demonstrando que ferramentas de gestão podem ser incorporadas por serventias com estruturas muito diferentes. Em 22 edições, o que se vê é uma atividade cada vez mais profissionalizada e consciente de que investir em gestão significa investir em segurança, eficiência e qualidade do serviço entregue à sociedade.

ANOREG/BR – Para além da categoria conquistada, quais são os principais ganhos para uma serventia que decide passar pelo processo de avaliação?

Maria Aparecida – Eu costumo dizer que o verdadeiro ganho do PQTA começa antes mesmo da premiação. A partir do momento em que a serventia decide participar, inicia-se um processo de organização interna que, por si só, já produz resultados: revisar procedimentos, aperfeiçoar indicadores, documentar práticas, identificar riscos e, principalmente, envolver a equipe. Depois vem o olhar externo proporcionado pela avaliação. Na rotina diária, estamos tão envolvidos com as demandas da serventia que determinados pontos de melhoria deixam de ser percebidos; a avaliação permite que alguém de fora, seguindo critérios técnicos previamente estabelecidos, ajude a identificar tanto o que está funcionando bem quanto as oportunidades de evolução.

Por isso, independentemente da categoria alcançada, a serventia conclui o processo conhecendo melhor a si própria, com um diagnóstico mais claro da sua gestão e elementos concretos para definir os próximos passos. Há ainda um ganho que considero fundamental: o envolvimento das pessoas. Qualidade não pode depender exclusivamente do titular ou de um responsável pelo PQTA. Ela precisa ser compreendida e vivenciada pela equipe. A premiação é um reconhecimento importante e deve ser celebrada, mas representa o resultado de um ciclo. O legado mais valioso é aquilo que permanece na serventia depois da cerimônia: os processos aprimorados, os riscos melhor controlados, a equipe que se desenvolveu e a cultura de melhoria contínua incorporada à rotina.

ANOREG/BR – O PQTA avalia diferentes aspectos da gestão, como estratégia, pessoas, tecnologia, segurança da informação e experiência do usuário. Como esses critérios ajudam os Cartórios a identificar pontos de melhoria e aperfeiçoar os serviços prestados à população?

Maria Aparecida – Uma das grandes virtudes do PQTA é justamente proporcionar uma visão integrada da serventia. Não adianta, por exemplo, possuir excelente infraestrutura tecnológica se não houver segurança da informação; da mesma forma, processos muito bem estruturados exigem pessoas capacitadas e engajadas para executá-los. Os critérios ajudam a transformar conceitos que poderiam parecer abstratos, como “qualidade” e “excelência”, em práticas que podem ser observadas, mensuradas e aperfeiçoadas. Eles também permitem enxergar a serventia como um sistema, no qual uma deficiência em determinada área repercute nas demais.

E há um ponto que considero essencial: o resultado de todo esse esforço precisa chegar ao cidadão. Melhorar a gestão interna não pode ser um fim em si mesmo; essa melhoria precisa se traduzir em serviços mais seguros, eficientes, acessíveis, ágeis e confiáveis. Quando conseguimos fazer essa conexão, fica claro que o PQTA vai muito além de um instrumento de aprimoramento administrativo: ele fortalece a própria função institucional dos serviços Notariais e Registrais e melhora, concretamente, a experiência de quem utiliza nossos serviços.

ANOREG/BR – Com um número recorde de participantes, quais são as expectativas para esta edição e que mensagem a senhora deixaria aos Cartórios que participam do PQTA pela primeira vez?

Maria Aparecida – 
As expectativas são muito positivas. Uma edição com 296 inscritos demonstra a força que o PQTA alcançou e, ao mesmo tempo, aumenta nossa responsabilidade de proporcionar uma avaliação efetivamente útil a cada participante. Tenho a expectativa especial de que esta edição seja lembrada não apenas pelo recorde de inscrições, mas pela capacidade de mobilizar pessoas em torno da qualidade. Temos Cartórios de diferentes portes, especialidades e regiões do País participando de um mesmo movimento, o que demonstra que, apesar das diferentes realidades, há algo que nos une: a disposição de aperfeiçoar continuamente a forma como prestamos nossos serviços.

Aos Cartórios que estão participando pela primeira vez, deixo uma mensagem muito simples: aproveitem o processo. Não façam da categoria de premiação o único objetivo. Utilizem os critérios do PQTA como uma oportunidade para conhecer melhor a própria serventia, envolver a equipe, valorizar boas práticas que talvez ainda não tenham sido devidamente reconhecidas e identificar, com tranquilidade, os pontos que ainda precisam evoluir. Nenhuma organização alcança a excelência de forma definitiva: qualidade é um processo contínuo, e chegar à avaliação disposto a aprender é tão importante quanto demonstrar aquilo que já foi conquistado.

E o passo mais importante já foi dado: decidir participar. Os 296 inscritos de 2026 mostram que somos cada vez mais numerosos nessa caminhada, e esse movimento coletivo em busca da excelência fortalece cada Cartório individualmente, mas, sobretudo, fortalece toda a atividade Notarial e Registral brasileira.

Fonte: Gabriel Dias – Assessoria de Comunicação ANOREG/BR 
Em: 24/08/2026